sexta-feira, 31 de maio de 2013

A FOTO MISTERIOSA DO FANTASMA DA MULHER ASSASSINADA.

Corria o ano de 1.988 e eu ainda cursava o terceiro ano da Faculdade de Direito. Um colega do primeiro de faculdade, sabendo do meu interesse pelo sobrenatural (pesquiso e coleciono temas góticos desde 1.976), me apresentou uma foto integrante que retratava um casal, tendo a sobreposição de uma mulher deitada. 

Disse-me ele que era um casal de amantes e que a esposa legítima fora envenenada pelo marido, por influência da amante. Quando o viúvo se casou com a amante, resolveram registrar em foto o evento. 

A surpresa veio quando, ao revelar a foto, apareceu em sobreposição o “fantasma” da falecida. Segundo me foi dito o fotógrafo, intrigado com o fato, encaminhou a foto à polícia que interrogou o casal e obteve a confissão. Outra versão dava conta de que, ao ver a foto, o marido arrependido se entregara à polícia, confessando tudo. 

Na época fiquei muito interessado pela foto, mas o colega não queria se dispor dela, mesmo porque não lhe pertencia e a tomara emprestado apenas para me mostrar. Eu queria a todo custo ao menos uma cópia daquela foto, mas na época não existiam os recursos que hoje temos (scanner ou mesmo a máquina fotográfica digital para copiar a foto). E as fotocópias eram de qualidade precária. 

A única solução era refazer o negativo a partir da foto e duplica-la em laboratório fotográfico, o que levaria alguns dias. Após muita insistência minha, o colega de faculdade, embora relutante e apreensivo quanto à possibilidade de extravio, me emprestou referida fotografia, da qual obtive em laboratório a cópia abaixo, a qual integra meu acervo particular até os dias de hoje.

  

Pesquisando mais sobre o assunto, descobri que a fotografia data de 1.949, e consegui localizar na internet seu original, em estado de conservação bem mais precária que a foto que possuo. 

 

A história, ao que tudo indica é real 

Uma foto tirada na década de 40 causou mistério e espanto em Monte Alegre de Minas. A imagem era para registrar o dia de um casamento, mas acabou revelando um assassinato. A mulher traída e assassinada pelo marido aparece deitada, sobreposta à imagem do novo casal, formado pelo homem e sua amante, que era amiga dos dois. 

A história rendeu uma música à dupla sertaneja Tonico e Tinoco, intitulada “Justiça Divina”. A música que fez sucesso sendo tocada nas rádios AM de todo o país retrata esta história, que agora é contada pela dona Hilda Gervásio Siqueira, de 84 anos, moradora da cidade do Triângulo Mineiro. 

 Ela, que chegou a conviver com as personagens na sua juventude, falou de um homem que interrompeu drasticamente seu relacionamento com a esposa, grávida, apesar de viverem aparentemente felizes. Eles tinham uma amiga em comum, que era amante do homem. Cansada de ser a outra, planejou a morte da mulher para tomar seu posto. 

Mesmo sabendo que a esposa legítima estava grávida, ele a matou asfixiada com um lenço. Os dois arrastaram o corpo até um pasto e enterraram. Na foto a mulher aparece deitada com o lenço na mão. 

Após o casamento com a amante, quando o fotógrafo entregou a foto revelada, o marido se assustou e confessou o crime.  

Foto foi tirada em 1949 

Ao contrário do que diziam as tentativas de elucidar o mistério, naquela época não havia possibilidade de sobreposição de imagens. As máquinas em 1949, eram do tipo em que o fotógrafo precisava entrar por debaixo de um pano e explodia uma pólvora, funcionando como flash. 

Especialistas que avaliaram a foto disseram que dá pra perceber uma criancinha no ombro da mulher morta, que seria o bebê que ela estava gerando.  

O vídeo 

A narração acima tem por base o seguinte vídeo:  


A música 

Tonico e Tinoco, indiscutivelmente os maiores ídolos da música caipira (não confundir com música sertaneja), ou “moda de viola” como se dizia na época, eternizaram o episódio na música intitulada “Justiça Divina”, cuja letra segue adiante e que poderá ser ouvida no link ao final. 

Justiça Divina (Tonico e Tinoco) 

(Declamado) 

Dois jovem se casava 
No Arraiá de São José 
Morava a felicidade 
No seu rancho de sapé 
Um dia por u'a amante 
Abandonô sua muié 

(Cantado)

E largô da sua esposa 
Foi simbora do povoado 
Foi vivê com sua amante 
Esqueceu o dever sagrado 
Um dia a amante falô 
Com seu gesto enciumado 
Vai dar fim na sua esposa 
Pra nois viver sussegado 

 Já vencido da paixão 
Como quem tá enfeitiçado 
E matô sua muié 
Enterrô num descampado 
Vivero assim muitos ano 
Como quem fosse casado 
Foro tirá uns retrato 
Por lembrança do passado 

Quando a foto revelou 
No retrato apareceu 
Entre a amante e o assassino 
A esposa que morreu 
Toda coberta de flôr 
Num caixáo que ele não deu 
E um filhinho do seu lado 
Que por crime não nasceu 

Vendo isto o retratista 
Na policia apresentô 
Eles fôro condenado 
O assassino confessô 
Ficaro os dois na prisão 
Conforme a lei condenô 
Castigo da providencia 
Justiça do Creador. 

Para ouvir a música clique em: 

Um comentário:

  1. Com os filmes analógicos não é possível realizar uma sobreposição de imagens? alguém poderia já esta desconfiado do casal e ter armado essa na tentativa de assustá-los e então falar a verdade!

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