segunda-feira, 18 de março de 2019

O “ENVENENADOR DO TYLENOL”

O CASO NUNCA FOI SOLUCIONADO




Na década de 80 uma série de envenenamentos trouxe pânico aos consumidores de medicamentos.

O primeiro caso ocorreu em 29 de setembro de 1982, quando uma menina de 12 anos, enferma, residente em Elk Grove Village, Illinois, tomou inadvertidamente um comprimido de Tylenol Extra Forte envenenado com cianureto e morreu algumas horas depois no mesmo dia.

Ela foi uma das sete pessoas que morreram repentinamente após ingerir o popular medicamento, vendido sem necessidade de receita médica, enquanto os chamados “assassinatos Tylenol” ou “Tylenol terrorista” espalhavam o medo por todo o país.

As vítimas, todas da área de Chicago, variavam entre 12 e 35 anos de idade e incluiriam três membros de uma mesma família.

A Johnson & Johnson, empresa fabricante do Tylenol, lançou de imediato um maciço “recall” do produto e ofereceu US$ 100 mil de recompensa por alguma informação que levasse à prisão da pessoa ou pessoas responsáveis e comandou uma das mais bem sucedidas campanhas de relações públicas da história e recuperou imagem em pouco tempo.

Investigadores logo determinaram que as cápsulas envenenadas de Tylenol não haviam sido alteradas nas fábricas onde eram produzidas. Isso significava dizer que alguém subtraíra as caixas das estantes do almoxarifado, trocara os comprimidos por veneno, e os devolvera ao almoxarifado para que então fossem distribuídos nas farmácias e supermercados, onde as vítimas adquiriram os produtos adulterados.

Antes do escândalo “Tylenol Terrorista", o Tylenol era a droga mais vendida entre as que não careciam de receita médica a mais vendida da companhia Johnson & Johnson nos Estados Unidos. Alguns observadores chegaram a especular que o medicamento Tylenol jamais seria capaz de se recuperar do desastre. No entanto, no espaço de meses, Tylenol voltou aos escaninhos das farmácias com um novo envoltório de segurança.

Os “assassinatos Tylenol”, que inspiraram crimes similares envolvendo outros produtos, jamais foram solucionados, embora diversas pessoas tenham sido investigadas. Entretanto, um resultado positivo da crise foi que levou a indústria farmacêutica a desenvolver embalagens à prova de adulteração, que antes do caso Tylenol Terrorista” simplesmente não existia.



segunda-feira, 4 de março de 2019

O "VAMPIRO" DE NITERÓI




Marcelo Costa de Andrade, vulgo Vampiro de Niterói, é um “serial killer” acusado de ter matado cerca de catorze meninos nas redondezas de Itaboraí, cerca de 30 quilômetros de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, no ano de 1991.

Marcelo viveu parte da sua infância na favela da Rocinha, na cidade do Rio de Janeiro. Vivia num lar desestruturado, e sua mãe, uma empregada doméstica, apanhava constantemente do marido. Foi mandado por um período para a casa dos avós, no Ceará, local onde disse que apanhava muito. Tempos depois foi mandado de volta para o Rio de Janeiro, onde constantemente era vítima de maus-tratos pelos novos companheiros dos pais, que haviam se separado. Foi nesse período que foi abusado sexualmente por um homem mais velho.

Foi então internado em um colégio para meninos, mas não tinha bom desempenho nas aulas. Lá era hostilizado pelos colegas e chamado de retardado. Aos quatorze anos, foi mandado embora do internato, pois a instituição só acolhia jovens de 6 a 14 anos.

Assim que saiu do internato, passou a se prostituir. Segundo Marcelo, sempre era ativo durante seus programas, mas certa vez um homem mais velho o teria obrigado a ser passivo, o que o perturbou muito. Nessa época ele tentou cometer suicídio. Tempos depois ele foi enviado para a FUNABEM, mas meses depois fugiu e voltou a se prostituir, sendo que aos dezesseis anos foi morar com outro homossexual, Antônio Batista Freire, que começou a sustentá-lo e o apresentou à Igreja Universal do Reino de Deus. Mesmo com o sustento do companheiro, Marcelo continuava a se prostituir, até que se separou do porteiro e voltou para a casa da família.

A partir daí, largou a prostituição e começou a trabalhar formalmente, ajudando a família nas contas e nos afazeres domésticos.

Marcelo frequentava os cultos há cerca de dez anos na época, além de assistir às celebrações pela TV diariamente. Segundo ele, foi num desses cultos que ouviu que quando as crianças morrem elas vão para o Céu. Segundo a lógica do assassino, ele não matava adultos, pois poderia os estar mandando para o inferno.













Crimes
No dia 16 de dezembro de 1991, Altair Medeiros de Abreu, de 10 anos, teria saído com seu irmão, Ivan Medeiros de Abreu, de 5 anos, até a casa de um vizinho, que lhe havia prometido oferecer um almoço. Na época o pré-adolescente morava numa zona de pobreza do bairro Santa Isabel, em São Gonçalo, município vizinho de Niterói. Os dois eram filhos de Zélia de Abreu, empregada doméstica que possuía mais cinco filhos.

Quando os dois garotos passavam pela estação central de Niterói, os dois foram abordados por Marcelo, que, segundo Altair, teria lhe oferecido cerca de quatro mil cruzeiros para que os dois o ajudassem a realizar um ritual religioso católico. Os três pegaram um ônibus e foram parar numa praia deserta, nos arredores do Viaduto do Barreto. Nesse momento, Marcelo tentou beijar o garoto mais velho, que fugiu assustado, mas sendo capturado em seguida e derrubado no chão; atordoado, ele viu seu irmão Ivan ser abusado sexualmente por Marcelo, que após o ato, o enforcou, avisando Altair que seu irmão estava dormindo.

Assustado, Altair passou a fazer tudo o que Marcelo queria, sendo depois levado pelo assassino até um posto de gasolina onde se limpou sobre os olhos atentos de Marcelo. Os dois dormiram em um matagal, e na manhã seguinte partiram para o Rio de Janeiro. Segundo consta, durante o trajeto, Marcelo teria se oferecido para morar com Altair, que teria concordado imediatamente. Nos depoimentos após o crime, Marcelo disse que teve piedade do garoto, pois ele teria sido "bonzinho" e prometido ficar com ele. Na época, Marcelo trabalhava como distribuidor de panfletos, e teria que aparecer no trabalho para buscar seus papéis. Assim que se distraiu, Altair aproveitou e fugiu do assassino.

Quando chegou em casa, por carona, Altair não revelou que seu irmão havia sido morto, só revelando o crime para uma das irmãs mais velhas dias depois. Marcelo não teria tentado procurar Altair nem tentado esconder o corpo, voltado no local do crime tempos depois para modificar a posição do corpo, corpo esse que foi encontrado por policiais horas depois. Segundo consta, as mãos do garoto estavam dentro dos shorts, o que afastou a tese inicial de afogamento, sendo constatado o abuso sexual no IML.

Quando o corpo foi identificado pela mãe de Ivan, Altair levou os policiais até o trabalho de Marcelo, que confessou o crime imediatamente, não demonstrando surpresa.

Na delegacia, Marcelo confirmou ser o autor de mais doze assassinatos. Ele revelou um dos seus primeiros crimes. Segundo o próprio, em junho do ano de 1991, ele havia acabado de descer de um ônibus quando viu o garoto Odair Jose Muniz dos Santos, de onze anos, pedindo esmolas na rua. Marcelo então o convenceu supostamente para ir até a casa de uma tia e pegar cerca de 3000 cruzeiros para dar ao garoto. Mas na verdade Marcelo o atraiu até um campo de futebol e tentou abusar do menino, e como não conseguiu, o enforcou.

Logo após, Marcelo foi para casa jantar e voltou mais tarde, quando decapitou o corpo do garoto. Marcelo afirmou que fez isso com o garoto para se vingar do que faziam com ele durante a época que viveu no internato.


O primeiro crime ocorreu em abril de 1991, num túnel debaixo da BR 101, em Niterói. Marcelo estava voltando do trabalho quando viu um garoto vendendo doces na avenida. Inventou a mesma história do dinheiro e do ritual religioso e o levou para um matagal. Tentou fazer sexo com o garoto, mas este resistiu. Marcelo o agrediu com pedras e depois o asfixiou e o estuprou. Após o ato, Marcelo enforcou o menor com a própria camiseta do menino.



Segundo ele, foi a partir daí que não conseguiu mais parar de cometer crimes.
  
No seu segundo crime, no mesmo túnel da BR 101 em Niterói, Marcelo atacou uma criança de 11 anos. O menor foi violentado à força seguidas vezes e depois foi enforcado com a camisa que usava.

No terceiro crime, cometido no interior de uma carcaça de fusca em Niterói, Marcelo tentou violentar a vítima de 7 anos, que resistiu no início e só cedeu após ser espancada. Enquanto o menor dormia, Marcelo lhe esmagou o crânio com uma pedra grande, recolheu o sangue na vasilha que utilizava para levar comida no trabalho e o bebeu todo. Beber o sangue da vítima o estimulou sexualmente e Marcelo teve mais uma relação sexual, desta vez com o cadáver.

No quarto crime, cometido em Japeri, um menor de 13 anos também foi espancado e violentado duas vezes. Ao amanhecer, Marcelo bateu com uma pedra na cabeça da vítima, recolheu o sangue numa vasilha e o bebeu. Depois disso, enforcou o menor com a própria camisa daquele.

No quinto crime, em São João do Meriti, um menor com idade de 10 ou 11 anos teve a barriga perfurada por Marcelo com uma chave de fenda. Depois Marcelo sodomizou o menor e, após, feriu a cabeça da vítima com um pedaço de concreto até sangrar. Recolheu em uma vasilha e bebeu o sangue do menor. Por fim, bateu com o pedaço de concreto sobre o peito (coração) da vítima, até ocasionar sua morte.

No sexto crime, na estação de Comendador Soares, Marcelo confessa que também bateu na vítima e a possuiu sexualmente. Ao amanhecer, retirou a camiseta do menor e o enforcou com ela.

No sétimo crime, em São Pedro da Aldeia, Marcelo violentou um menor de 9 anos ao menos duas vezes seguidas. Também o enforcou com a própria camisa que a criança usava.

No oitavo crime, num CIEP próximo da BR 101, em Niterói, Marcelo foi com o menor até o segundo andar do edifício e ali passou a bater a cabeça do menor no piso até sangrar, recolheu o sangue numa vasilha e o bebeu. Em seguida violentou a criança que, segundo Marcelo, não reagiu “porque estava muito fraca”. Por fim, matou o menor igualmente enforcado com a própria camisa.

No nono crime, no bairro de Manilha (onde Marcelo também morava), um menor de 12 anos foi espancado e abusado por Marcelo ao menos duas vezes. Também esta criança foi enforcada com sua própria camisa.

No décimo crime, também no bairro de Manilha, a vítima foi uma criança de 5 anos. Marcelo deixou cair uma pedra grande sobre a cabeça da criança e bebeu seu sangue que havia recolhido numa vasilha. Por fim Marcelo afogou a criança num riacho.

No décimo primeiro crime, próximo ao local onde Marcelo vivia, uma criança de 6 anos foi sua vítima. Não houve penetração e a consumação se deu entre as coxas do menor. Também este foi afogado num riacho.

No décimo segundo crime e no décimo terceiro, também em Niterói, em uma galeria próxima a um CIEP, Marcelo bateu com a cabeça da vítima de 11 anos numa parede, atordoando-a. Em seguida violentou e estrangulou outro menor de 5 anos, irmão da criança de 11 anos que também foi abusada sexualmente, mas foi poupada e levada por Marcelo até seu local de trabalho, de onde a vítima fugiu, vindo posteriormente a denunciar o ocorrido.

Marcelo alega ter matado um menor em Belo Horizonte/MG, mas o caso não foi confirmado. Suspeita-se que tenham existido outras vítimas.

Na maioria dos casos Marcelo levava para sua casa os shorts de suas vítimas, que guardava como recordação no fundo de uma caixa de revistas.

Por ser inimputável, Marcelo não foi julgado nem condenado e se encontra internado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Henrique Roxo por determinação da justiça como medida de segurança.


sábado, 23 de fevereiro de 2019

AS BRUXAS (?) DE GUARATUBA


O Caso Evandro 

Caso Evandro refere-se ao sequestro e assassinato do garoto Evandro Ramos Caetano, em 1992, na cidade litorânea de Guaratuba, Estado do Paraná, no Brasil.
Evandro Ramos Caetano, que em 1992 tinha 6 anos, desapareceu em 6 de abril daquele ano. Seu suposto corpo foi encontrado em 11 de abril, num matagal da cidade, sem vários órgãos, com mãos e pés amputados, e vísceras e coração arrancadas.
O assunto gerou grande repercussão e comoção na imprensa brasileira (ver abaixo).







A promotoria pública do Paraná acusou Beatriz Cordeiro Abagge e sua mãe, Celina Abagge, como mentoras do sequestro e morte de Evandro com o intuito de utilizar o corpo em um ritual de magia negra.

Em 23 de março de 1998, Beatriz e Celina foram julgadas, pela primeira vez, no mais longo júri da história da justiça brasileira (34 dias de julgamento) e consideradas inocentes. Em 1999 o júri foi anulado, sendo retomado o julgamento em maio de 2011.
Outros envolvidos no assassinato, também foram julgados pelo crime, como o pai de santo Osvaldo Marcineiro, o pintor Vicente Paulo Ferreira e o artesão Davi dos Santos Soares foram condenados em 2004. Já Francisco Sérgio Cristofolini e Airton Bardelli dos Santos foram absolvidos em 2005.
Na tarde de 28 de maio de 2011, Beatriz foi condenada a 21 anos e 4 meses de prisão (em votação apertada: 4 x 3), 13 anos depois do primeiro julgamento. Em 17 de abril de 2016, o Tribunal de Justiça do Paraná concedeu perdão de pena para Beatriz Abagge.

Má Condução da Investigação – Abuso de Poder e Autoridade, Sevícias e Torturas

A revista ISTOÉ trouxe, na edição nº 2.163 de 27/04/2.011 informações que comprometem a seriedade das investigações e lançam dúvidas até mesmo quanto à identidade do corpo encontrado.
Informa a revista que as confissões foram obtidas de forma ilícita, sob tortura e por policiais que não tinham autoridade nenhuma para investigar o caso, pois, agindo a mando da promotoria local, a Polícia Militar havia torturado brutalmente os suspeitos para obter a confissão desejada.
Anunciada a localização do corpo de Evandro, ou do suposto corpo como se verá mais adiante, a polícia civil começou a investigar e a enfrentar obstáculos – um deles é que durante dois meses os laudos do IML e da perícia não lhe foram fornecidos, embora estivessem concluídos. Vai entrar em cena, nesse momento e sem competência legal para cuidar do homicídio, o então grupo de elite da Polícia Militar do Paraná.
Por meio de depoimentos de policiais e ex-policiais que atuaram no caso, dados com exclusividade à ISTOÉ, hoje se comprova que alguns integrantes desse grupo da PM agiram como agiam os seviciadores da ditadura, à época recém-encerrada no Brasil. “Houve tortura. Pessoas das quais os policiais militares suspeitavam foram sequestradas, levadas sem mandado de prisão e torturadas”, diz o delegado e diretor do Departamento de Crimes contra o Patrimônio, Luiz Carlos Oliveira, um dos homens mais prestigiados da polícia no Paraná. Ele fala com a autoridade de quem investigava o desaparecimento de Leandro e cruzou com as investigações sobre a morte de Evandro. “Beatriz e Celina foram seviciadas até dizerem que mataram Evandro. Outro acusado, o pai de santo Osvaldo Marcineiro, não tinha mais costas de tanto levar porrada. As costas dele ficaram negras. Era um hematoma só. Eu vi.”  
Os policiais prenderam e transportaram em carros “chapas frias” Celina e Beatriz, achando que Beatriz era Sheila. Enquanto isso, Osvaldo Marcineiro e mais dois suspeitos já amargavam torturas na casa de veraneio em Guaratuba do ex-ditador do Paraguai Alfredo Stroessner, localizada e fotografada por ISTOÉ. Tanto em Curitiba quanto em Guaratuba, a questão de ter havido tortura é ponto pacífico. “O Ministério Público quer condenar a ré para jogar uma cortina de fumaça nas atrocidades cometidas”, diz o advogado Adel El Tasse.
Beatriz foi violada sexualmente por cinco torturadores, tomou choques elétricos e padeceu de sessões de “afogamento” numa chácara – eis a explicação do motivo pelo qual ela não conseguiria durante anos lavar o rosto normalmente. “Desmaiei não sei quantas vezes durante a tortura, sangrei, urinei, evacuei. Foi estupro, choque e afogamento”, diz ela. E os torturadores só souberam que Beatriz era Beatriz, e não Sheila, quando levaram um ensanguentado Osvaldo Marcineiro à sua presença e ele a chamou pelo nome. Na mesma chácara, em outro quarto, Celina também era seviciada. Quando Beatriz não suportou mais o suplício, foi carregada para diante da mãe e implorou: “Diga tudo o que eles quiserem porque eu não aguento mais choque, não aguento mais estupros e afogamentos.” “Ela me suplicou para que eu falasse em um gravador tudo aquilo que os torturadores me ditavam”, diz Celina.
Em fita cassete que compõe o processo, ouvem-se vozes ao fundo e há o constante ruído de ligar e desligar o aparelho. Mais: as respostas de Celina demonstram que alguém corrigia o que ela falava: “Com o que você matou?”, pergunta o torturador. “Com uma paulada”, responde Celina – e o gravador é desligado. Ligado novamente, ela corrige: “Com uma faca.” Desliga. Liga. Ela diz: “Não, com uma serra.” Ruído, e vem a complementação: “Serra da serraria.” “Uma investigação que começa errada só pode terminar errada”, diz o ex-policial e advogado João Ricardo Keppes de Noronha, que à época mandou apurar o que ocorrera. Dos “porões” da repressão em Guaratuba elas foram transportadas para diversos postos da Polícia Militar e finalmente à penitenciária de Piraquara – aquela onde soldavam o basculante para as “bruxas” não fugirem. Ao desembarcarem nela, cada uma das mulheres ficou trancafiada um mês em “solitárias”, nuas, sem direito a banho, sem um segundo de sol e privadas de alimentação adequada. Beatriz já começava a gargalhar sozinha a gargalhada das loucas, quando uma aranha a devolveu à sanidade.
De fato, conforme se observa do trecho da transcrição do depoimento publicado à época pela revista VEJA de 15/07/1992, fica evidente que a depoente está sob forte pressão no momento da gravação (ver abaixo).


O corpo Sepultado Não é de Evandro
O coronel da reserva Valdir Copetti Neves rompeu o seu silêncio de 19 anos e declarou: “Por que perguntar de tortura e circunstâncias de prisão somente para mim? Por que não se pergunta também ao Ministério Público e à Polícia Federal que estavam na investigação?” Não bastasse a forma ilegal e truculenta de investigação, vários depoimentos de autoridades de Curitiba e de pessoas do povo de Guaratuba dão conta de que o corpo que está sepultado, no terceiro túmulo para quem pisa o Cemitério Central através de sua porta principal, muito provavelmente não é o de Evandro Caetano. O Ministério Público admitiu que não tinha fato novo para o julgamento e acabou alimentando a tese de que Evandro não está ali enterrado: em 19 anos, por 18 vezes se pronunciou contrário à exumação, atitude que não tomaria se tivesse certeza de que se trata dos restos mortais do menino.


O túmulo é uma capela de tijolinhos com gavetas à sua esquerda. “Em qual delas está o Evandro?”, pergunta-se ao zelador do cemitério, Luiz Ferreira. De óculos escuros, fumando e negando-se terminantemente a ser fotografado, ele dispara: “Em qual gaveta? Se é que ele está aí. Quem disse que ele está aí?” O garçom Wilson Henttralt, 56 anos, que vive em Guaratuba e desde criança é vizinho da família de Evandro, também levanta dúvidas em relação ao fato de ser mesmo dele o corpo que a polícia atestou que era. “Esse crime paralisou a cidade e ainda hoje só se fala sobre ele. Houve muita confusão, acho que ninguém sabe ao certo se o corpo encontrado é o do garotinho”, diz Henttralt. “Certeza absoluta de que não é o corpo” quem tem é o delegado Oliveira: “Não é o cadáver de Evandro. Durante as investigações eu disse: pago do meu bolso as despesas de exumação. Ninguém quis me ouvir.” 
Três exames de DNA foram feitos na época e dois deram “inconclusivos”. O terceiro teste, com um dente de leite que a mãe de Evandro guardara em sua casa bem antes do desaparecimento do filho, constatou apenas o óbvio: que se tratava de um dente do menino. Até aí, nada. Não se estabeleceu nenhum vínculo entre esse dente de leite e o corpo. ISTOÉ revela o depoimento prestado à Justiça pelo professor de criminalística e perito criminal Arthur Conrado Drischel, que examinou local e cadáver: “O corpo não condizia com uma criança de 6 anos de idade, que no caso também não poderia condizer com a vítima Evandro Ramos que tinha 6 anos de idade (…) e todos os outros dados também não condiziam com a descrição de Evandro.” Mais: os peritos deixaram registrado o “desconhecimento da identidade da vítima”.

Até os dias atuais a história que mais resiste ao desgaste do tempo naquela pequena cidade paranaense é o caso das “Bruxas de Guaratuba”.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A MÃE DO OURO - II

(Fatos verídicos)


                                   Conforme narrei em relato anterior, mudei-me para Cristina-MG no início de 1.978, influenciado por dois acampamentos que fizera no final do ano de 1.977 e nos quais ocorreram estranhos fenômenos luminosos que sempre eram presenciados por uma única pessoa, pois os dois membros restantes portavam-se como se estivessem desmaiados. Disse também que, naquele local, tais fenômenos sempre foram frequentes, conforme relatos da minha família materna (tios, avós e mesmo minha mãe).


                                   Residi em Cristina-MG do início de 1.978 até fins de 1.981, quando retornei para Ouro Fino-MG, embora voltasse frequentemente àquela cidade, na qual mantive uma casa ainda por muitos anos.


                                   Em meados de setembro de 1.979, retornando da casa de amigos e rumando para minha própria casa, acabei me detendo na praça principal da cidade, onde um grupo de rapazes e moças se divertia tocando violão e tomando vinho. Estavam todos sentados no chão do passeio e eu em pé, pois havia parado apenas por alguns momentos para apreciar um pouco da música e bater papo. Era por volta de meia-noite. De repente, vinda da direção do Pico da Tuiúva (no Bairro da Paciência e bem próximo ao local narrado no relato anterior), uma bola de fogo cruzou os céus, passando pouco acima dos telhados à minha frente, e indo na direção da Cachoeira da Gruta, que dista uns quinhentos metros da praça principal da cidade.


                                   Intrigado com mais aquele episódio, além dos anteriores, retomei minhas expedições ao local, agora acompanhado de amigos daquela cidade, mas nunca houve qualquer acontecimento similar aos anteriores, até que, numa dessas ocasiões, resolvi ir sozinho, ficando hospedado na casa do meu tio (irmão da minha mãe). Porém começou a chover pouco depois da minha chegada, de forma que se tornou impossível aventurar-me pelas trilhas da região à noite e sob forte chuva. Assim, o jeito foi me recolher cedo, no quarto onde dois primos meus já estavam acomodados em suas respectivas camas, mas ainda acordados.


                                   Usando técnicas de “desdobramento”, mentalizei-me saindo da cama, do quarto e da casa onde me hospedava. Depois me vi percorrendo a trilha até a cachoeira e me sentando à margem do riacho. Me imaginei fechando os olhos e invocando aquela bola de luz, que vinha sendo vista com freqüência naquele local, pedindo que se materializasse à minha frente. Um súbito clarão aconteceu então, levando-me a abrir os olhos. Lá estava a bola de luz azulada, do tamanho de uma laranja, mas não na cachoeira e sim dentro do quarto. Tentei chamar meus primos e até os outros que dormiam nos demais aposentos, mas eu estava completamente paralisado. Alguns segundos depois a luz desapareceu, assim como veio.


                                   Em fins de 1.981 retornei para Ouro Fino-MG e, embora regressasse várias vezes para Cristina-MG, não tive outras experiências iguais.  


                                   Faço aqui um breve parêntesis para mencionar que a cidade de Cristina-MG propriamente dita fica entre três picos: o Pico da Pedra Branca (1.847 metros de altitude), o Pico da Pedra do Urutu ou da Pedra Riscada (1.977 metros de altitude) e o Pico da Tuiúva (1.991 metros de altitude).


                                   Pois bem, dos três picos só não escalei ainda o Pico da Pedra Branca, vez que um temporal me impediu de atingir aquele objetivo. Escalei a Pedra do Urutu em 1.980.


                                   Ao topo do Pico da Tuiúva eu cheguei no início de 1.991, ano cujo numeral corresponde à altitude daquele pico. Acompanharam-me naquela expedição os amigos Sidney e Gabriel (o “Arcanjo”). Ficamos acantonados num paiol de fertilizantes a meio caminho entre a casa do meu tio e o topo do pico. Recordo-me que tive uma noite péssima, com sérias indisposições gastrointestinais que, felizmente, sumiram ao romper do dia.


                                   Atingimos o topo por volta do meio dia. Lanchamos, descansamos e tiramos algumas fotos. Antes do nosso retorno, um dos meus primos nos localizou. Ele subiu no topo de uma árvore, a pedido nosso, para ver se conseguia fotografar alguma cidade ao longe, mas não foi possível. Mesmo assim, para não perder o trabalho da subida, ele posicionou o foco da máquina em nossa direção e acionou a máquina.


                                   Enorme foi a surpresa minha quando mandei revelar as fotos e constatei que, numa delas,  estávamos envoltos numa espiral luminosa, como se estivéssemos no centro de um portal (túnel) que se abria naquele momento, apresentando em seu interior imagens de criaturas grotescas.


                                   Algumas pessoas talvez dirão que as imagens que vemos na foto não passam de “pareidolia”, que é um tipo de ilusão que consiste em reconhecer pessoas ou objetos em estímulos vagos ou caóticos (é como ficar olhando para as nuvens e, num dado momento, visualizarmos rostos e objetos). Mas, e os acontecimentos anteriores, ocorridos nas proximidades do referido local?...


                                    

                                   José Carlos de Paula
                                   Escritor e pesquisador do sobrenatural.
                                   (Ouro Fino/MG, 31 de julho de 2.011).


OBS.:   1- Foto em anexo (COM e SEM destaque).

            2- (*) Dados obtidos no site http://cristina.mg.gov.br/?page_id=1550







domingo, 2 de outubro de 2016

A MÃE DO OURO - I

(Fatos verídicos)


                                   Desde a minha mais tenra infância minha mãe, meus tios e meus avós contavam histórias acerca de fenômenos luminosos que aconteciam no Bairro dos Tocos (situado entre o Bairro da Beleza e o Bairro da Paciência), no Município de Cristina-MG, terra da minha família materna.


                                   Segundo me contavam minha mãe, tios e avós maternos, bolas de fogo voavam baixo no céu e caiam sobre uma laje de pedra no meio do ribeirão, a uns cinqüenta metros da casa dos meus avós. Também era comum se ouvirem conversas e ruídos como o barulho semelhante ao socar de um pilão, além de círculos luminosos sobre a referida pedra (a revista “Planeta” número 64, de janeiro de 1.978, publicou um relato meu sobre tais eventos). Todavia, referida laje de pedra acabou partindo-se ao meio, e, a partir de então, os fenômenos cessaram naquele local.


                                   Porém, não se extinguiram, posto que os mesmos fenômenos passaram a se verificar numa cachoeira situada uns três quilômetros rio acima, conforme atestavam inúmeras pessoas do bairro, cuja idoneidade sempre foi inatacada, dentre os quais alguns tios e primos.


                                   Intrigado com tais fenômenos, e curioso por constatá-los pessoalmente, convidei dois amigos do Tiro de Guerra e partimos de trem até Cristina-MG, em dezembro de 1.977. Da cidade até o Bairro dos Tocos, naquele município, seguimos a pé por aproximadamente quatorze quilômetros.


                                   Armamos as barracas e acampamos no interior de um pequeno bosque, a uns cem metros da belíssima cachoeira. Jantamos feijoada em lata com pão, conversamos até por volta de umas 21:00 horas e, cansados da caminhada, fomos dormir. Na manhã seguinte um dos companheiros de jornada nos informou em pânico que uma bola de luz azulada, do tamanho de uma laranja, havia circundado a nossa barraca duas vezes e que ele havia tentado nos acordar, mas não obteve sucesso, pois eu e o outro colega aparentávamos estar desmaiados.


                                   Todos nós retornamos para Ouro Fino-MG intrigados. Então planejamos retornar ao mesmo local uma semana depois e ali pernoitar novamente, mas o colega que teve a visão da luz se recusou a acompanhar-nos outra vez, de forma que foi substituído na segunda expedição pelo irmão do outro colega de Tiro de Guerra. 


                                   Repetiram-se a viagem de trem, a caminhada, a montagem das barracas e o mesmo jantar. Fomos dormir aproximadamente no mesmo horário, tomando o cuidado de revisar as armas e posicioná-las em local de fácil alcance, já que o local sempre foi freqüentado por lobos e é, até hoje, passagem de onças. O armamento da primeira expedição fora reforçado ainda mais na segunda. Ao contrário da semana anterior, dessa vez chovia sem parar.


                                   Na manhã seguinte o outro colega de Tiro de Guerra nos relata com espanto que, após dormir um certo tempo, acordou com a floresta toda iluminada, “parecendo uma catedral” e que ouviu ruídos estranhos, mas igualmente não conseguiu acordar nenhum de nós. Afirmou que chegou a chutar a mim e ao seu irmão em várias partes do corpo para nos acordar, mas não conseguiu, pois parecíamos estar desmaiados. Convém destacar que ele, assim como nós, estava calçado de coturno.


                                   Estes dois episódios foram preponderantes na minha decisão de me mudar para Cristina/MG em janeiro de 1.978, aliás, no mesmo mês em que foi publicada a matéria na revista “Planeta”.


                                   E foi justamente em razão da referida matéria que dois jovens ufólogos paulistas se interessaram pelo assunto e foram à minha procura em Cristina-MG, para que os conduzisse até o local, o que fiz com grande prazer, dada a qualidade dos equipamentos que portavam. Chegamos próximo ao local por volta de 20:00 horas e estávamos no quintal da casa do meu tio quando eu vi um círculo prateado, com o tamanho aparente de uma lua cheia, descer quase verticalmente e desaparecer atrás da colina após a casa do meu tio. Infelizmente por estarem os dois ufólogos de costas para o evento e dada a rapidez do fenômeno não lhes foi possível visualizá-lo. Nenhum outro acontecimento extraordinário ocorreu naquela noite, embora fôssemos dormir bem tarde, dessa vez hospedados na casa dos meus parentes.


                                   Na manhã seguinte fomos até o local onde aparentemente havia pousado o círculo prateado, coincidentemente o mesmo lugar dos acampamentos anteriores, mas nenhum sinal ou marca foi encontrado. Várias fotografias foram tiradas e retornamos frustrados para a cidade. Dali os ufólogos retornaram para a capital paulista.


                                   Alguns dias depois recebi deles uma carta de agradecimento acompanhada de um relatório e uma das fotografias do local, a qual garantiam os ufólogos não haver sido manipulada artificialmente, vez que haviam revelado o filme em laboratório próprio, tendo lhes causado enorme surpresa a fotografia parcialmente “queimada”, trazendo estranhas formas desenhadas na rocha do solo e um halo de luz que, em se prestando bastante atenção, forma os contornos de um rosto feminino com vasta cabeleira ou véu.  


                                   José Carlos de Paula
                                   Escritor e pesquisador do sobrenatural.
                                   (Ouro Fino/MG, 30 de julho de 2.011).


OBS.: Foto em anexo (COM e SEM destaque).