domingo, 23 de junho de 2019

MUSEU GÓTICO II - GOTHIC MUSEUM II



Como já vos disse na minha postagem anterior, venho me dedicando ao colecionismo gótico desde 1.976, quando adquiri as primeiras peças de uma coleção que conta hoje com milhares de itens. A quantidade é tamanha que, apenas para mostrar algumas peças, percebi que a apresentação seria praticamente impossível de ser condensada numa única postagem. Tanto assim que, na postagem anterior, dediquei-me exclusivamente ao cinema (DVD, cartazes, panfletos, fotografia e até objetos foram mostrados).


Hoje prossigo a mostra apresentando mais uma parte do acervo, agora trazendo livros que separo aqui conforme o tema de cada conjunto.


O gênero gótico tem seu termo inicial reconhecido na literatura com a publicação do livro “O Castelo de Otranto” (“The Castle Of Otranto”), de Worace Walpole - 1764. A ele sucederam-se centenas de publicações outras, dentre as quais se destacam “Frankenstein”, de Mary Shelley - 1820 e “Drácula” (“Dracula”), de Bram Stoker - 1897. Merecem especial destaque as obras de Edgard Allan Pöe - 1809 a 1849, como “O Corvo” (“The Raven”), “O Gato Preto” (The Black Cat”) e “A Queda da Casa de Usher” (“The Fall of the House of Usher”), entre tantas outras.


Começando pelos clássicos, vos trago algumas obras, todas elas uma pequena parte do acervo. “O CASTELO DE OTRANTO” (“THE CASTLE OF OTRANTO”), de Worace Walpole - Coleção Trevo Negro – Ed. Bruguera - Ano 1.971, resulta uma mistura do sobrenatural, visões fantasmagóricas, fatos inexplicáveis, por um lado, com as paixões, intrigas e psicologia próprias das pessoas de carne e osso, por outro lado. “DRÁCULA” (“DRACULA”) de Bram Stoker – Ed. Record – 1.976, a mais história de vampiros da literatura mundial, tendo o famigerado Conde Drácula como personagem principal. “FRANKENSTEIN” (“FRANKENSTEIN”) de Mary Shelley – Ed. Record – 1.976, também intitulado como o “Prometeu Moderno” é um romance de terror gótico com inspirações do movimento romântico, envolvendo alquimia e ficção-científica para a recriação da vida, resultando numa criação monstruosa, porém inicialmente dócil. “O CASTELO MAL-ASSOMBRADO” de E.T.A. Hoffmann – Ed. Círculo do Livro - 1.989, traz uma seleção de contos de terror do autor, como “O Homem da Areia”, “Don Juan”, “Até que o Olho me Chame” (Gluck)”, “O Fantasma Noivo” e “O Castelo Mal-Assombrado”. “FAUSTO” (“FAUST”) de Göethe, Ed. Technoprint – Década de 80, considerado uma das grandes obras-primas da literatura alemã, é um poema trágico redigido como uma peça de teatro com diálogos rimados, no qual a principal personagem sucumbe às tentações do demônio Mefistófeles. “...E NINGUÉM VIVERÁ” (“GREFFE MORTELLE) de Marc Agapit - Ed. Technoprint - Década de 80, expressiva obra da literatura francesa que trata da vida de um fantasma. “HORAS DE TERROR” de diversos autores – Ed. Clube do Livro - 1.981, traz os seguintes contos: "A Missa Das Sombras" (Anatole France), "Avatar" (Théophile Gautier), "Um Louco?" (Guy de Maupassant), "Metempsicose" (Walter Poliseno), "Camarote 105, Beliche Superior" (Marion Crowford), "Ratos do Cemitério" (Henry Kuttner), que considero o mais assombroso de todos que já li na literatura horrorífica, "A Mão do Hindu" (Arthur Conan Doyle), "William Wilson" (Edgar Allan Pöe), "O Fantasma Inexperiente" (H. G. Wells) e "A Mão do Macaco" (W. W. Jacobs). "CONTOS DE TERROR, DE MISTÉRIO E DE MORTE, de Edgar Allan Pöe - Companhia José Aguilar Editora - 1.975, com os seguintes contos: "Berenice", "Morela", "O Visionário", "O Rei Peste (Conto Alegórico)", "Metzengerstein", "Ligéia", "A Queda do Solar de Usher", "William Wilson", "Eleonora", "O Retrato Oval", "A Máscara da Morte Rubra", "O Coração Denunciador", "O Gato Preto", "O Poço e o Pêndulo", "Uma história das Montanhas Ragged", "O Enterramento Prematuro", "O Caixão Quadrangular", "O Demônio da Perversidade", “Revelação Mesmeriana", “O Caso do Sr. Valdemar", “O Barril de Amontilhado" e "Hop-Frog". “CONTOS DE VAMPIROS” de diversos autores (14 clássicos escolhidos sob organização de Flávio Moreira da Costa) - Editora AGIR - Selo Pocket Ouro - 2.009, com os seguintes contos: "O Estranho Misterioso" (Anônimo), "Carmilla" (Sheridan Le Fanu), "Berenice" (Edgar Allan Pöe), "O Vampiro" (John Polidori), "A Boa Senhora Ducayne" (Mary Elizabeth Braddon), "O Hóspede de Drácula" (Bram Stoker), “A Morta Apaixonada” (Théophile Gautier), "Luella Miller" (Mary Eleanor Wilkins-Freeman), "Porque o Sangue é a Vida" (Francis Marion Crawford), "O Conde Magnus" (Montagne Rofhes James), "O Quarto na Torre" (Edward Frederic Benson), "O Vampiro" (Horacio Quiroga), "O Vampiro da Granja Croglin" (Augustus Hare) e "A Família do Vourdalak", fragmento inédito das "Memórias de um Desconhecido" (Alexei Tolstoi). “MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS”, do imortal escritor brasileiro Machado de Assis - Editora Abril - 1.982 (foi publicado originalmente em folhetins, a partir de março de 1880, na Revista Brasileira, onde um defunto conta a história de sua vida, e que traz a seguinte e inusitada dedicatória: "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas").



O cinema trilhou os sucessos da literatura, sendo boa prova disso a personagem “Drácula”, que inspirou mais de uma centena de filmes. Nessa esteira seguem os não menos clássicos “O EXORCISTA” (“THE EXORCIST”), de William Peter Blatty – Ed. Nova Fronteira – 3ª Edição – 1.972, baseado em fatos reais. Aliás, em seu livro autobiográfico “DIREI QUE LEMBRO DE VOCÊ” (“I'LL TELL THEM I REMEMBER YOU”), do mesmo autor – Ed. Nova Fronteira – 1.973, Blatty mostra que a cena do abandono da mãe no filme refere-se a um fato idêntico passado com ele, qual seja o abandono da mãe num asilo. Stephen King é outro renomado autor contemporâneo cujas obras chegaram às telas do cinema, como “CARRIE” (“CARRIE”) – Best Books – 1.977; “O ILUMINADO” (“THE SHINING”) – Ed. Objetiva – 1.999; “IT” (“A COISA”) – Ed. Suma de Letras – 2.014, entre outros. Na ficção científica “O PLANETA DOS MACACOS” (“LA PLANÈTE DES SINGES”) de Pierre Boule – Ed. Agir – 2.005 e “O HOMEM INVISÍVEL” (“THE INVISIBLE MAN”) de H. G. Wels – Ed. Technoprint – Década de 80, são obras exponenciais. “HORROR EM AMITYVILLE” (“THE AMITYVILLE HORROR”), de Jay Anson – Ed. Círculo do Livro – 1.977, igualmente baseado em fatos reais é outro livro apavorante sobre infestação numa casa mal-assombrada.   Por fim o fabuloso clássico “O MORRO DOS VENTOS UIVANTES” (“WUTHERING HEIGHTS”) de Emily Brontë – Ed. Abril – 1.979, clássico da literatura inglesa, uma história de brutalidade e melancolia que termina com um casal de fantasmas assombrando uma charneca.


A coleção abrange ainda vasto acervo de documentários, dos quais destaco os seguintes: “DANÇA MACABRA” (“DANSE MACABRE”), do renomado mestre Stephen King – Ed. Ponto de Leitura – 2.012, no qual o autor disseca o terror no cinema e na literatura em sua primeira obra não ficcional. “O TRIÂNGULO DAS BERMUDAS” (“THE BERMUDA TRIANGLE”), de Charles Berlitz – Ed. Círculo do Livro – 1.991, que trata dos desaparecimentos misteriosos de navios e aeronaves naquela região do Caribe. “OS DEMÔNIOS DE LOUDUN” (“THE DEVILS OF LOUDUN”), de Aldous Huxley – Ed. Círculo do Livro – 1.989, que narra a suposta possessão de todo um convento em meados do século XVII, no interior da França, por diferentes demônios, culminando na tortura e morte do padre Urban Grandier, numa trama que teve até mesmo o envolvimento do próprio cardeal Richilieu. “JACK, O ESTRIPADOR” (“PRINCE JACK”), de Frank Spiering – Ed. Círculo do Livro – 1.991, no qual a autora relata as crueldades do legendário assassino, numa trama que envolve até mesmo a nobreza britânica. “JACK THE RIPPER WALK” – Ed. Louis’ London Walk – 2.002, é um guia em inglês sobre os locais onde o misterioso assassino atuou em Londres e arredores no final do século XIX. “O PROCESSO DO VAMPIRO DE DUSSELDORF” – Ed. Noblet – Década de 70, contando a história do assassino serial Peter Kurten, o “Vampiro de Dusseldorf”, responsável por inúmeros abusos sexuais e assassinatos em 1.929 e imortalizado no cinema no filme “M” (1.931) de Fritz Lang. “FILHA DE SATANÁS, FILHA DE DEUS” (“CHILD OF SATAN, CHILD OF GOD”) – Ed. Edibolso – 1.977, foi escrito por Susan Atkins no corredor da morte. A autora foi um membro da “Família”, grupo de Charles Manson que chacinou Sharon Tate (atriz de “A DANÇA DOS VAMPIROS” - “THE FEARLESS VAMPIRE KILLERS” – 1.966), esposa do diretor Roman Polanski de “O BEBÊ DE ROSEMARY” – “ROSEMARY’S BABY” de 1.968, o qual teria revelado naquele filme segredos do satanismo, sendo esta uma das causas prováveis da morte da atriz e esposa de Polanski. A atriz estava grávida quando foi assassinada. “LOBISOMEM – UM TRATADO SOBRE CASOS DE LICANTROPIA” – “THE BOOK OF WERE-WOLVES”, do padre Sabine Baring-Gould – Ed. Madras – 2.003, é o tratado mais completo sobre lobisomens, escrito originalmente em 1.889. “EM BUSCA DE FRANKENSTEIN” – “IN SEARCH OF FRANKENSTEIN”, de Radu Florescu – Ed. Mercuryo – 1.998, no qual o escritor romeno busca, na Alemanha, a verdadeira história por trás do mito. “EM BUSCA DE DRÁCULA E OUTROS VAMPIROS” – “IN SEARCH OF DRACULA”, de Raymond T. Mc Nally e Radu Florescu – Ed. Mercuryo – 1.995, no qual os autores desvendam a verdade histórica existente por trás do mito de Drácula. “A LA RECHERCHE DE DRACULA” – “IN SEARCH OF DRACULA”, de Raymond T. Mc Nally e Radu Florescu – Ed. Robert  Laffont – 1.973, versão em francês do livro anteriormente citado.


O acervo do “MUSEU GÓTICO” conta ainda em sua extensa biblioteca com um acervo considerável de livros dedicados ao ocultismo e ao satanismo. “CULTO A SATÔ (“THE SECOND COMING”), de Arthur Lyons – Hemus Editorial – 1.974, mostra o ressurgimento generalizado do satanismo no mundo nos últimos anos e mostra que Satã não morreu com o advento do racionalismo, já que a necessidade dele nunca foi racional. “O DIABO SEM PRECONCEITOS”, do escritor brasileiro José Alberto Gueiros - Ed. Monterrey – 1.974, conta a história do satanismo e sua propagação através da história. “A REVOLUÇÃO LUCIFERIANA”, do escritor também brasileiro Adriano Camargo Monteiro – Ed. Madras – 2.007, é um livro que busca estabelecer as bases da doutrina luciferiana ou luciferosofia, como algo digno e elevado a ser seguido, livre de tabus, medos e ignorância, oferecendo uma filosofia de liberdade, espiritualidade, conhecimento e prazer, que se estende em muitas áreas da vida. “O TEMPLO DE SATÔ (“LE TEMPLE DE SATAN – LE SERPENT DE LA GENÈSE”), de Stanislas de Guaita – Ed. Três – 1.983, tratando de várias vertentes do ocultismo, em espacial da doutrina teosófica, em que não é o espírito que se comunica com os seres humanos encarnados, mas apenas seus "cascões astrais", que são ocupados por "larvas" e seres elementais, cuja única função parece ser a de enganar os "trouxas" humanos. “POSSESSÕES, ENCOSTOS... E CASAS MAL ASSOMBRADAS”, do padre Edvino Augusto Friderichs – editado pelo Centro Latino-Americano de Parapsicologia – 1.978, é um “pronto-socorro” para casos complexos de possessão, obsessão e infestação. “AS CIÊNCIAS PROIBIDAS – SATANISMO E BRUXARIA” – Ed. Século Futuro – 1.987, trata do bem e do mal eternamente contrastados, em cada ato humano e em cada sentimento, ancestrais poções, beberagens ou encantamentos e a relação do diabo com tudo isso. “NOCTURNICOM” (“NOCTURNICOM”), de Konstatinos – Ed. Madras – 2.006, é um guia supremo para o lado mais negro do universo da magia, ensinando a conjurar as forças e os poderes negros. “DOGMA E RITUAL DE ALTA MAGIA” (“DOGME ET RITUE DE LA HAUTE MAGIE”) de Eliphas Levi – Ed. Pensamento – Década de 70, é um tratado de magia, que apareceu em 1855 e que incluiu uma tradução do “Nuctemeron” (ou “Nuctameron”), um trabalho supostamente escrito por Apolônio de Tiana. ”OS LIVROS MALDITOS” (“LES LIVRES MAUDITS”), de Jacques Bergier – Ed. Hemus – 1971, onde o autor fala de livros de conteúdo prodigioso que se tornaram inacessíveis ao público, como o “Livro de Toth”, as “Estâncias de Dzyan” (ver adiante), o “Manuscrito Voynich” e “Excalibur” (o livro que leva à loucura), entre outros. “O LIVRO PERDIDO DE DZYAN” (“TWO BOOKS OF THE STANZAS OF DZYAN”), traduzido e publicado por H. P. Blavatsky – Ed. Pensamento – 2.009, copiado de manuscritos arcaicos, escritos em uma coleção de folhas de palmeira, resistentes à água, ao fogo e ao ar, devido a um processo de fabricação desconhecido, e que conteriam registros de toda a evolução da Humanidade, em uma língua desconhecida pelos filólogos denominada Senzar. “O LIVRO QUE MATA A MORTE” (“EL LIBRO QUE MATA A LA MUERTE – O LIBRO DE LOS JINAS”), de Roso de Luna – Ed. Três – 1.984, refere-se aos mundos subterrâneos quando fala das bibliotecas fabulosas existentes nestes rincões sagrados, ocultos da face da Terra, onde se encontram os livros que relatam toda a história dos homens, contendo obras em todos os idiomas já falados em todos os tempos. “O LIVRO DOS MORTOS DO ANTIGO EGITO”, Ed. Hemus – Década de 70, é uma coletânea de feitiços, fórmulas mágicas, orações, hinos e litanias do Antigo Egito, escritos em rolos de papiro e colocados nos túmulos junto das múmias. “CIÊNCIAS OCULTAS”, de diversos autores - Ed. Iavisa – 1.981, falando sobre astrologia, sonhos, numerologia grafologia, quiromancia, frenologia e profecias diversas, entre outros assuntos ocultistas. “A ILHA DA MAGIA” (“THE MAGIC ISLAND”), de William B. Seabrook – Ed. Hemus – Década de 70, que trata sobre o vudu haitiano. “GRANDES MISTÉRIOS DO SOBRENATURAL”, de vários autores – Ed. Três – Década de 80 – que trata de vários assuntos ocultistas, como satanismo, bruxaria, astrologia, tarologia, etc. “DRACULEA – O LIVRO SECRETO DOS VAMPIROS”, do escritor brasileiro Ademir Pascale e outros autores – All Print Editora – 2.009, onde conhecemos um pouco da história do surgimento dessas criaturas noturnas (os vampiros): Vlad Draculea, um cavaleiro cristão torna-se um agente contra os turcos e, por sua crueldade na batalha, era considerado a encarnação do demônio, pelos inimigos e até por seus súditos. “O LIVRO DOS VAMPIROS – A ENCICLOPÉDIA DOS MORTOS VIVOS” (“THE VAMPIRE BOOK: THE ENCYCLOPEDIA OF THE UNDEAD”), de J. Gordon Melton – Makrom Books – 1.996, onde o autor aprofunda-se nas tradições, mitos e relatos verídicos sobre os vampiros e suas lendas no mundo todo e enfoca, ainda, os aspectos históricos, literários, mitológicos, biográficos e populares de um dos temas mais envolventes que se conhece, incluindo mais de 200 imagens, mais de 30 fotos coloridas, além de milhares de verbetes. “MANUAL PRÁTICO DO VAMPIRISMO”, dos escritores brasileiros Paulo Coelho e Nelson Liano Júnior – Ed. Record – 1.991, revela o mundo do vampirismo, que acabou por fortalecer a imagem de Paulo Coelho como um ocultista. O livro acabou sendo recolhido devido a um possível temor do autor Paulo Coelho em que as pessoas utilizassem as técnicas descritas.


A biblioteca da coleção também dispõe de um considerável acervo sobre ufologia. “PROJETO LIVRO AZUL” (“PROJECT BLUE BOOK), de Brad Steiger – Ed. Portugália – 1.976, é um livro explosivo e significativo para ufologia mundial e que trata dos inquéritos secretos feitos por pessoal responsável da Força Aérea e cientistas civis de renome, como o professor J. Allen Hynek, diretor do Centro de Pesquisas Astronáuticas de Lindheimer, que acabou por abandonar os militares por achar que estavam sob as ordens do Pentágono para recusar qualquer evidência de Objetos Voadores Não Identificados (UFOs). O livro serviu de base para o filme “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (“Close Encounters of the Third Kind”) de Spielberg. “INCIDENTE EM ROSWELL” (“THE ROSWELL INCIDENT”), DE Charles Berlitz e William L. Moore – Ed. Nova Fronteira – 1.980, tratando sobre o mais famoso caso da ufologia mundial ocorrido em julho de 1947 na localidade de Roswell, no estado do Novo México, nos Estados Unidos, onde um objeto voador não identificado teria caído. “VARGINHA – TODA A VERDADE REVELADA”, do escritor e ufólogo brasileiro Marco Antonio Petit – Ed. Biblioteca UFO – 2.015, que desvenda toda a verdade envolvendo o caso do “E.T. de Varginha”, o caso mais famoso da ufologia brasileira. “PROJETO MAJESTIC” (“MAJESTIC”), de Whitley Strieber – Ed. Mercuryo – 1.989, no qual o autor, membro do Grupo Central de Inteligência (hoje CIA) faz um relato sobre uma nave extraterrestre que caiu em Roswell, no Novo México, em 1.947 e todo o plano do governo norte-americano para esconder o fato. “A AMEAÇA” (“THE THREAT”), de David M. Jacobs – Ed. Rosa dos Tempos – 2.002, é baseado num relatório secreto sobre os objetivos e planos dos alienígenas. “ERAM OS DEUSES ASTRONAUTAS?” (“ERINNERUNGEN NA DIE ZUKUNFT”), de Erich Von Däniken – Ed. Círculo do Livro – 1.985, no qual o autor teoriza a possibilidade das antigas civilizações terrestres serem resultados de alienígenas que para as épocas relatadas teriam se deslocado. “HERCÓLUBUS OU PLANETA VERMELHO” (“HERCÓLUBUS O PLANETA ROJO”), de V. M. Rabolú – Grupo Editorial Kelps. – 2.004, sobre o planeta gigante Hercólubus, tido como um boato pseudocientífico similar a outros que alegam que um planeta gigante estaria se aproximando perigosamente da Terra. “OS ASTRONAUTAS DE YAVEH” (“LOS ASTRONAUTAS DE YAVEH”), de J. J. Benítez – Ed. Mercuryo – 1.980, no qual o autor aborda o tema polêmico e audacioso da intervenção de extraterrestres em várias passagens do Velho e do Novo Testamento, como a travessia do Mar Vermelho, a concepção virginal de Maria e o nascimento de Jesus Cristo. “OPERAÇÃO CAVALO DE TRÓIA 1 - JERUSALÉM” (“CABALLO DE TROYA”), de J. J. Benítez – Ed. Mercuryo – 1.987, onde o autor, com base em documentos que recebeu de um militar e cientista da Força Aérea norte-americana, revela a execução de uma experiência que lhe permitiu voltar no tempo quase dois mil anos e ser testemunha ocular e participante dos últimos dias de Jesus Cristo na Terra, desde sua entrada em Jerusalém até sua prisão, julgamento, crucificação e ressurreição. A obra prosseguiu até o volume 9.


O acervo da biblioteca do MUSEU GÓTICO conta ainda com inúmeros livros raros, dentre os quais podemos destacar os seguintes: “A MALDIÇÃO DO SANGUE DE LOBO”, do escritor brasileiro Rubens Francisco Lucchetti – Ed. Cedibra – 1.974, um conto que fala sobre um lobisomem aterrorizando uma aldeia. “NOS DOMÍNIOS DE DRÁCULA”, do mesmo escritor R. F. Lucchetti – Ed. Cedibra – Década de 70, é uma aventura de terror e sexo num reduto de vampiros. “LEGIÃO DE VAMPIROS”, também de R. F. Lucchetti – Ed. Edrel – 1.972, traz artigos e contos sobre vampiros. Rubens Francisco Lucchetti foi o roteirista habitual dos filmes de Zé do Caixão (Coffin Joe) e assinou outras obras com o pseudônimo de Isadora Highsmith. “O IMPÉRIO DE FU MANCHU” (“EMPEROR FU MANCHU”), de Sax Rohmer – Ed. Technoprint – Década de 70, narrando sobre o doutor Fu Manchu, que comanda uma vasta organização criminosa internacional, os Si-Fans, que conta com vários assassinos profissionais, de preferência hindus Thugs e Dacoits, dentre outros membros de sociedades secretas dedicadas ao crime. “O CASTELO DAS VOZES”, DE Ell Sov (pseudeônimo do escritor brasileiro Hélio de Soveral”, Ed. Monterrey – Década de 70, onde cinco pessoas se veem obrigadas a passar a noite no antigo Castelo de Rockemburgh, o palco de uma terrível tragédia no passado. Mas a noite não proporcionou sua calma de sempre, em meio à tempestade, ocorreram mistérios que foram capazes de provocar calafrios e levar ao delírio. “O CONDE NEGRO”, do escritor brasileiro José Maria Silva Neto – Editora Assunção – 1.950, onde bruxos, monstros e fadas povoam as estórias ali contadas.  “A MONTANHA ENCANTADA”, da autora brasileira Maria José Dupré (Senhora Leandro Dupré) – Ed. Brasiliense – 1.945,  uma estória de fantasia na qual um grupo de crianças, após avistar uma luz brilhar no alto da montanha ali existente, realiza uma expedição e descobre um mundo subterrâneo feito em ouro e habitado por anões, em que os valores diferem do mundo real. “O LIVRO DOS FANTASMAS”, do escritor brasileiro Viriato Padilha – Ed. Spiker – 1.956, um clássico brasileiro das histórias de terror, com fantasmas vitorianos, monstros, criaturas do além e criaturas do folclore brasileiro. “OS MAIS BELOS CONTOS TERRORÍFICOS” – Ed. Vecchi – 1.959, traz as seguintes obras: “O Retrato” de Washington Irving, “O Reflexo Perdido” de E. T. A. Hoffmann, “El Verdugo” de Honoré de Balzac, “O Demônio da Perversidade” de Edgar Pöe, “Uma Feliz Experiência de Dissecação” de Edmond About, “Uma Estranha Cama” de Wilkie Collins, “O Cemitério do Diabo” de Jacinto Octavio Picón, “As Sombras da Noite” de Paul Marguerite, “A Aranha” de H. Heinz Ewers, “As Mãos Estranguladoras” de M. G. Moretti, “A Verdade das Lendas” de Emilio Carrère, “A Câmara da Morte” de Armiger Barclay, “O Cérebro no Frasco” de Normam Elwod Hammerston, “A Última Gargalhada” de Franklin Miller, “A Casa do Juiz” de Bram Stoker, “Os Olhos Ambarinos” de Henry Kuttner, “Os Olhos da Múmia” de Robert Bloch, “O Cálice de Ouro” de Frank Gruber, “O Sôro da Vida” de Paul S. Powers, “O Último Disparo” de Tally Mason, “Sessão de Espiritismo” de Olga L. Rosmanith, “O Preço da Cabeça” de John Russell e “O Cérebro Morto” de Wallace J. Knapp. “RITUALE ROMANUM” – Ed. Mechliniæ – 1.856, escrito em latim e utilizado em vários ritos da Igreja Católica, dentre os quais o “Ritual do Exorcismo”, o livro foi celebrizado no filme “O Exorcista” (“The Exorcist”), quando aparece nas mãos do Padre Merrin, personagem do filme, durante as sessões de exorcismo, sendo mostrada na tela a versão em inglês intitulada “Roman Ritual”. É, sem dúvida, a peça mais rara da coleção.



Na literatura infantil do acervo destaco os seguintes livros: “O LADO SOMBRIO DA INFÂNCIA” – Coleção Mundo Estranho – Ed. Abril – 2.016, que mostra as origens sangrentas e as explicações psicológicas para os contos de fada. “O MANUAL DA BRUXA PARA COZINHAR CRIANÇAS” (“THE WITCH’S GUIDE TO COOKING CHILDREN”) de Keith McGowan – Cia. das Letras – 2.010, é uma estória de bruxa que come criancinhas. “O LIVRO HORRIPILANTE DE ZÉ DO CAIXÃO” de Zé do Caixão (José Mojica Marins) – Panda Books – 2.008, com sete estórias para arrepiar os cabelos da criançada.


Do acervo constam ainda obras de autoria do próprio colecionador, seja em livros próprios, seja como colaborador. “VAMPIRO O FANTASMA NEGRO”, de José Carlos de Paula - Clube de Autores – 2.011, iniciando com o suicídio do descendente de um vampiro, que se levanta de sua tumba e inicia uma saga de vingança ao longo de treze dias de morte e sangue, culminando com uma orgia satânica e sangrenta. “VAMPIRO O FANTASMA NEGRO”, de José Carlos de Paula - Clube de Autores – 2.011, traz os contos encontrados no caderno do suicida que inicia o livro anterior. “CONTOS DE ANDRÉ VITTOR”, de André Victtor - Clube de Autores – 2.011, traz vários contos de horror e misticismo, entre o quais o relato verídico “A Mãe do Ouro e as Bolas de Fogo”, com ilustrações fotográficas.


Os livros podem ser adquiridos nos seguintes links:






Conheça e curta os álbuns da coleção no “MUSEU GÓTICO” (“GOTHIC MUSEUM”) na página do Facebook indicada abaixo:

https://www.facebook.com/museugotico/



Seja bem vindo ao castelo!


sábado, 25 de maio de 2019

MUSEU GÓTICO I - GOTHIC MUSEUM I



Tenho me dedicado ao colecionismo gótico desde 1.976, quando adquiri as primeiras peças de uma coleção que conta hoje com milhares de itens. A quantidade é tamanha que, apenas para mostrar algumas peças, percebi que a apresentação seria praticamente impossível de ser condensada numa única postagem.

Por isso, resolvi iniciar a apresentação parcial do acervo com as peças relacionadas aos filmes (cinema e DVD), hoje contando com mais de dois mil DVD (incluindo todos os filmes que serão citados nesta postagem) e centenas de peças publicitárias (cartazes, folhetos e fotografias).




O gênero gótico tem seu termo inicial reconhecido na literatura com a publicação do livro “O Castelo de Otranto” (“The Castle Of Otranto”), de Worace Walpole -1764. A ele sucederam-se centenas de publicações outras, dentre as quais se destacam “Frankenstein”, de Mary Shelley - 1820 e “Drácula” (“Dracula”), de Bram Stoker - 1897. Merecem especial destaque as obras de Edgard Allan Pöe - 1809 a 1849, como “O Corvo” (“The Raven”), “O Gato Preto” (The Black Cat”) e “A Queda da Casa de Usher” (“The Fall of the House of Usher”), entre tantas outras.

O cinema trilhou os sucessos da literatura, sendo boa prova disso a personagem “Drácula”, que inspirou mais de uma centena de filmes.





Desde o cinema mudo, trazendo “Nosferatu” – 1922, de F. W. Murneau, entre outros. Outra grande referência na história do cinema foi “O Gabinete do Dr. Caligari” (“Das Cabinet des Dr. Caligari”), uma das mais marcantes obras do expressionismo alemão, dirigido por Robert Wienne em 1919.

Os estúdios de Hollywood ainda possuíam grande relutância em produzir filmes do gênero. Um dos nomes que mais se destacou ao fomentar o investimento em filmes de terror foi o do ator Lon Channey, por interpretar diversos personagens em inúmeros filmes produzidos na década de 20, como os clássicos “O Corcunda Notre Dame” (“The Hunchback of Notre Dame”) - 1923 e “O Fantasma da Ópera” (“The Phantom of the Opera”) - 1925. Outro grande clássico da época é a primeira versão de “O Médico e o Monstro” (“Dr. Jekyll and Mr. Hyde”) - de 1920.

A partir da década de 30, os filmes de terror passam a ser produzidos tendo por base as histórias e lendas européias sobre vampiros, cientistas loucos e aristocratas insanos, a tazendo como principais personagens os antológicos Drácula e Frankenstein, das clássicas obras de Bram Stoker e Mary Shelley, respectivamente. Os estúdios da Universal tornaram-se célebres pela produção de dezenas de filmes com múmias, homens invisíveis e lobisomens. Bela Lugosi e Boris Karloff são dois atores que se destacam naquele período. Lugosi pela sua inesquecível representação do conde mais famoso da literatura em “Drácula” (“Dracula”) e Karloff pela sua brilhante atuação como o gigante grotesco “Frankenstein”, ambos em 1931. Outras obras representativas do cinema de horror dos anos 40 são os clássicos “King Kong”, “O Homem-Invisível” (”The Invisible Man”), inspirado na obra de H.G. Wells, ambos de 1933 e “A Múmia” (“The Mummy”) - 1932, com Boris Karloff no papel-título, entre outras.

Na década de 40, com a 2ª Guerra Mundial e o verdadeiro horror fazendo parte do dia-a-dia das pessoas, os filmes de terror acabaram ficando em baixa durante algum tempo. Mesmo assim inúmeros clássicos vieram a lume, como a refilmagem de “O Médico e o Monstro” (“Dr. Jekyll and Mr. Hyde”) – 1941, “O Lobisomem” (“The Wolf Man”) – 1941, “A Alma da Frankenstein” ou “O Fantasma de Frankenstein” (“The Ghost of Frankenstein”) – 1942, “Sangue de Pantera” (“Cat People”) – 1942, a refilmagem de “O Fantasma da Ópera” (“The Phantom of the Opera”) – 1943, “O Filho de Drácula” (“Son of Dracula”) – 1943, “A Maldição do Sangue da Pantera” (“The Curse of the Cat People”) – 1944 e “A Casa de Frankenstein” (“The House of Frankenstein”) – 1944, entre outros.

A década de 50 marcou a retomada do medo no cinema, principalmente através da produtora britânica Hammer Studios, seguindo a mesma trilha que tanto lucro deu à Universal, fazendo filmes baratos que usavam e abusavam dos – então recentes – recursos de cor e de muita sensualidade. O principal nome desse período, sem dúvida, é o de Christopher Lee, cuja interpretação do conde em “Drácula” ou “O Vampiro da Noite” (“Dracula” - 1958 fez história, assim como o incansável caçador de vampiros Dr. Van Helsing, vivido por Peter Cushing. A dupla fez inúmeros filmes para a Hammer, encarnando também o Dr. Franskenstein e sua criatura (Cushing e Lee, respectivamente) em “A Maldição de Frankenstein” (“The Curse of Frankenstein”) - 1957, entre outros. Destaque-se o péssimo, porém cultuado, “Plano 9 do Espaço Sideral” (“Plan 9 From Outer Space”) - 1959, que traz como um dos principais atores Bela Lugosi, falecido três dias antes de se iniciarem as filmagens. Para suprir a sua ausência, foram usados trechos não aproveitados de filmes anteriores daquele ator e um dublê, mais alto do que Lugosi e que, por ter compleição facial diferente, ocultava o rosto com a capa, gesto muito copiado posteriormente por vampiros de desenho animado.

Com a era atômica e o advento das notícias sobre discos voadores que passaram a surgir naquela década com mais intensidade, os filmes dos anos 50 passaram a ter também uma temática científica/sobrenatural; criaturas que emergiam de pântanos a partir de experiências atômicas, bolhas assassinas, tarântulas gigantes e homens com cabeça de mosca – “O Monstro da Lagoa Negra” (“Creature from the Black Lagoon”) - 1954, “A Bolha Assassina” (“The Blob”) de 1958, “Tarântula” (“Tarantula”) - 1955 e “A Mosca da Cabeça Branca” (“The Fly”) - 1958, faziam com que os cinemas estivessem sempre cheios, superando até os files da Disney, sendo os preferidos dos adolescentes e jovens.

Na virada dos anos 50/60 surgiu um dos maiores nomes da história dos filmes de terror: Roger Corman. Com o seu pequeno clássico “A Pequena Loja dos Horrores” (“Little Shop of Horrors”) - 1960, Corman mostrou que era possível assustar com classe e pouco dinheiro.

A década de 60 foi extremamente fértil para o gênero, destacando-se a obra de suspense de Alfred Hitchcock, em clássicos como “Psicose” (“Psycho”) - 1960 e “Os Pássaros” (“The Birds”) - 1963. O grande diretor George Romero, produziu o ultra-cult “A Noite dos Mortos-Vivos” (“Night of the Living Dead”) - 1968, que rendeu várias refilmagens e plágios, inclusive por parte dele próprio. O cineasta polonês Roman Polanski chega trouxe, em 1966, a comédia “A Dança dos Vampiros” (“The Fearless Vampire Killers”), estrelado por sua então esposa Sharon Tate e, em 1968, o apavorante “O Bebê de Rosemary” (“Rosemary’s Baby”), o qual teria dado causa ao assassinato da atriz Sharon Tate, esposa do diretor, por uma seita de satanistas.

No Brasil, surge Zé do Caixão (conhecido no exterior, especialmente nos Estados Unidos da América como Coffin’Joe, personagem de José Mojica Marins, um marco da cinematografia brasileira. Dentre sua vasta obra, merecem destaque os filmes “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” - 1964, “Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver” - 1966 (a trilogia só viria a ser completada em 2008, com o filme “A Encarnação do Demônio”. Também merece destaque o filme “O Despertar da Besta” ou “Ritual dos Sádicos” - 1969. 





A década de 70 trouxe a onda do cinema catástrofe, com o traumático “Tubarão” (“Jaws”) – 1975, de Steven Spielberg, “Terremoto” (“Earthquake”) - 1974, entre outros. Vale destacar o filme de suspense “Encurralado” (“Duel”) - 1971, também de Spielberg. O sangue jorrou solto com o filme independente “O Massacre da Serra Elétrica” (“The Texas Chain Saw Massacre”) - 1974, dirigido por Tobe Hooper e com o também independente “Halloween” de John Carpenter em 1978, no qual o mítico serial killer Michael Myers dispara o gatilho para a série de assassinos misteriosos e impiedosos que inundaram as telas nos anos 80. O terror alienígena ficou por conta de “Alien, O Oitavo Passageiro” (“Alien”) - 1979, onde Ridley Scott inaugurou um novo tipo de terror espacial.

O demônio também passou a ocupar espaço como importante personagem gótico naquela década com a possessão do filme “O Exorcista” (“The Exorcist”) - 1973, e o advento do anticristo em “A Profecia” (“The Omen”) - 1976. Espíritos malignos e poderes sobrenaturais também assombraram a plateia em obras como “Terror Em Amityville” (“The Amityville Horror”) - 1979, as inesquecíveis obras adaptadas do renomado escritor Stephen King, como “Carrie, A Estranha” (“Carrie”) - 1976, de Brian De Palma, e o também o cultuado “O Iluminado” (“The Shining”) - 1980, de Stanley Kubrick, trazendo um Jack Nicholson completamente ensandecido como protagonista. Outra marcante obra da época foi o restrito “Eraserhead” - 1977, um deslumbrante pesadelo surrealista que viria a lançar o nome do jovem diretor David Lynch.

A década de 80 trouxe a “espantomania”, com “A Hora do Espanto” (“Fright Night”) - 1985 e também marcou a ascensão dos "slashers" ou "splatters", filmes geralmente de baixo custo, sempre com um maníaco correndo atrás de jovens seminuas e muitos sustos. A principal referência é o famoso “Sexta-Feira 13” (“Friday the 13th”) - 1980, com o popular assassino Jason Vorhees. Seu concorrente mais conhecido, o tenebroso Freddy Krueger, surgiu em “A Hora do Pesadelo” (“A Nightmare on Elm Street”) - 1984, de Wes Craven.

Grandes nomes surgiram no cinema de horror nos anos 80, como David Cronenberg, com “Scanners, Sua Mente Pode Destruir” (“Scanners”) - 1981, “A Hora da Zona Morta” (“The Dead Zone”), uma adaptação de Stephen King de 1983, “Videodrome – A Síndrome do Vídeo” (“Videodrome”) - 1983, “A Mosca” (“The Fly”) - 1986, uma refilmagem do filme “A Mosca da Cabeça Branca” - 1958 e “Gêmeos – Mórbida Semelhança” (“Dead Ringers”) - 1988. No Brasil, o cineasta Ivan Cardoso trouxe a pornochanchada, “O Segredo da Múmia” - 1982.

Outros filmes que foram referência na década de 80 são: “Dia dos Namorados Macabro” (“My Bloody Valentine”) - 1981, “Evil Dead – A Morte do Demônio” - 1982, “Hellraiser – Renascido do Inferno” - 1987, “Gremlins” - 1984, “Re-Animator” (baseado num conto de H.P. Lovecraft) de 1985, “Demons – Os Filhos das Trevas” (“Demons”) de 1985, “Os Garotos Perdidos” (“The Lost Boys”) – 1987, Quando Chega A Escuridão (“Near Dark”) – 1987 e o apavorante “Brinquedo Assassino” (“Child's Play”) – 1988, iniciando a onda dos brinquedos assustadores. Com a então recente tecnologia dos aparelhos de videocassete, a indústria dos filmes de terror entrou numa nova era.

Nos anos 90 os filmes de terror ficaram mais rarefeitos e mal-feitos, muitos sendo lançados diretamente em vídeo. Algumas exceções são a nova versão de “Drácula de Bram Stoker” (“Bram Stoker's Dracula”) - 1992, realizada por Francis Ford Coppola (apesar de apresentar um final diferente do livro), a adaptação do livro de Anne Rice, “Entrevista Com O Vampiro” (“Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles”) - 1994, e a releitura de “Frankenstein de Mary Shelley” (“Mary Shelley's Frankenstein”) - 1994. Tim Burton foi um dos poucos talentos a despontar no período, realizando pequenas lindas obras com sua inimitável estética "dark", como “Edward Mãos de Tesoura” (“Edward Scissorhands”) - 1990 e “O Estranho Mundo de Jack” (“The Nightmare Before Christmas”) - 1993. O diretor Wes Craven volta ao cenário com “Pânico” (“Scream”) - 1996, na esteira dos serial killers dos anos 80, numa espécie de tributo aos jovens retalhados na década anterior, seguido por produções pouco expressivas como “Eu Sei O Que Vocês Fizeram No verão Passado” (“I Know What You Did Last Summer”) - 1997, entre outros.

O único filme que conseguiu quebrar esse marasmo de idéias foi o hiperestimado “A Bruxa de Blair” (“The Blair Witch Project”) - 1999, que se valeu de uma divulgação esperta no novo meio de comunicação de massas da época, a Internet.




Abrindo o novo milênio, temos, já na década de 2000 (2001 a 2010), “Rota 666 - A Estrada da Morte” (“Route 666”) – 2001, “A Espinha do Diabo” (“El Espinazo del Diablo”) - 2001, “O Pacto dos Lobos” (“Le Pacte des loups”) – 2001, o remake “Carrie” - 2002, “Resident Evil” – 2002, que deu início a uma longa série, o filme japonês “O Chamado” (“The Ring”) - 2002, “Freddy vs. Jason” – 2003, “Anjos da Noite” (“Underworld”) - 2003, “Alien vs. Predador” (“Alien vs. Predator”) - 2.004, “Exorcista - O Início” (“Exorcist: The Beginning”) - 2004,o remake “Horror em Amitiville” (“The Amityville horror") - 2005, “O Exorcismo de Emily Rose” (“The Exorcism of Emily Rose”) - 2005,  “Desespero” (“Desperation”) – 2006, baseado na obra homônima do mestre Stephen King, o remake “A Profecia” (“The Omen”) - 2006, “Turistas” – 2006, “Eu sou a Lenda” (“I Am Legend”) - 2007, “Os Mensageiros" (“The Messengers”) – 2007,  “O Orfanato” (“El Orfanato”) – 2007, “REC” – 2007, “Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (“Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street”) – 2007, “Atividade Paranormal” (“Paranormal Activity”)- 2007, “Anjo Maldito” (“It's Alive") - 2008, “A Órfã” (“Orphan”) – 2009, “Espantalho” (“Husk”) – 2010 e “O Ultimo Exorcismo” (“The Last Exorcism”) – 2010.
Merecem destaque, pelo sucesso alcançado, os “vampiros da guarda” de Stephenie Meyer em “Crepúsculo” (“Twilight”) – 2008, dando início à saga que teve como sequências os filmes “Lua Nova” (“New Moon”) - 2009, “Eclipse” – 2010, “Amanhecer – Parte 1” (“Breaking Dawn – Part 1”) – 2011 e “Amanhecer – Parte 2” (“Breaking Dawn – Part 2”) – 2012.
Também há que se destacar o filme “Encarnação do Demônio” - 2008, completando a trilogia de José Mojica Marins (Zé do Caixão) iniciada em 1963 com “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, seguido em 1967 pelo filme “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver”.

Na década de 2010 vieram, desde 2011 até 2019, os filmes “A Coisa” (“It”), “O Ritual” (“The Rite”), “O Segredo da Cabana” (“The Cabin in the Woods”) e “Colega de Quarto” (“The Roommate”), todos de 2011; “Filha do Mal” (“The Devil Inside”), “Prometheus” e “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros”, (“Abraham Lincoln: Vampire Hunter”), todos de 2012; “Invocação do Mal” (“The Conjuring”), “A Morte do Demônio” (“Evil Dead”), o remake “Carrie” (da obra de Stephen King), “Guerra Mundial Z” (“World War Z”), “Meu Namorado é um Zumbi” (“Warm Bodies”), “João e Maria Caçadores de Bruxas” (“Hansel and Gretel: Witch Hunters”) e “Willow Creek”, todos de 2013; “Annabelle”, “Extraterrestrial”, “I Frankenstein”, Voo 7500, “Drácula: A História Nunca Contada” (“Dracula Untold”), todos de 2014; “Exorcistas do Vaticano” (“The Vatican Tapes”), “A Forca” (“The Gallows”), “A Última Premonição” (“Visions”) e “O Uivo” (“Howl”), todos de 2015; “Quando as Luzes se Apagam” (“Lights Out”) – 2016; “Alien: Covenant” – 2017; “A Freira” (“The Nun”) e “Venom” de 2018; “Queen of Spades: Through the Looking Glass” e “Cemitério Maldito” (“Pet Sematary”), baseado na obra de Stephen King, ambos de 2019.




Conheça e curta os álbuns da coleção no “MUSEU GÓTICO” (“GOTHIC MUSEUM”) na página do Facebook indicada abaixo:


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Seja bem vindo ao castelo!

domingo, 5 de maio de 2019

O MASSACRE DO MC DONALD’S DE SAN YSIDRO NO TEXAS

Revista ISTOÉ SENHOR nº 1.153 de 30/10/1.991

O massacre de San Ysidro McDonald foi um tiroteio em massa que ocorreu em torno de um McDonald's no bairro de San Ysidro em San Diego em 18 de julho de 1984. James Huberty de 41 anos atirou e matou 21 pessoas e feriu outras 19 antes de ser morto pela equipe da SWAT.
Em 15 de julho de 1984, Huberty mencionou a sua esposa, Etna, que ele poderia estar mentalmente doente. Dois dias depois, em 17 de julho, Huberty ligou para uma clínica de saúde mental solicitando uma consulta. Na manhã seguinte, na manhã anterior ao massacre, Huberty levou sua esposa e suas filhas ao Zoológico de San Diego. Huberty disse a sua esposa que sentia como se sua vida tivesse acabado porque a clínica de saúde mental nunca retornou o telefonema. Ele afirmou que "a sociedade teve sua chance".
Quando voltaram para casa do zoológico, Huberty deu um beijo de despedida em sua esposa e disse a ela que estava "caçando humanos".


Revista MANCHETE de 02/11/1.991


Por volta das 03:45 da tarde do dia 18 de julho de 1984, em San Diego, um Ford Mercury Marquis preto seguiu em direção ao estacionamento do McDonald’s do outro lado da rua. O homem que desceu daquele carro intrigou Armando. Vestindo uma calça militar e uma camisa escura, ele carregava uma bolsa. Dentro dela, uma metralhadora Uzi semi-automática 9 milímetros, um rifle Winchester calibre .12 e uma pistola Browning HP.
Segundos depois, as pessoas que estavam dentro do McDonald’s escutariam um grito: “TODO MUNDO DEITADO!”

Todos que estavam lá dentro obedeceram as ordens. O que o homem queria? Assaltar? Roubar? Não.

Ele queria… matar! Sem dizer mais nenhuma palavra, o homem começou a atirar nas pessoas que estavam deitadas perto da porta. E continuou metodicamente atirando em todos que estavam lá dentro enquanto caminhava pelo estabelecimento. Maria Rivera, estava com sua família, dois filhos e o marido, Victor. Ao ver o homem disparando, abraçou seus dois filhos e viu seu marido virar para o homem e implorar para ele parar com aquilo. O atirador se virou para Victor e o atingiu com um tiro, Victor caiu no chão gritando. O homem foi em sua direção e gritou: “CALE A BOCA!”, e atirou de novo e de novo… 14 vezes.

Jornal FOLHA DE SÃO PAULO de 18/10/1.991

Jackie Reyes, uma jovem mãe de 18 anos, levou 48 tiros. Seu corpo já sem vida no chão contrastava com a de seu filho, Carlos Reyes, de apenas oito meses de idade. Ele estava vivo, envolto nos braços da mãe morta. Os sobreviventes que viram aquela cena nunca mais a esqueceriam: com uma pistola 9 milímetros na mão, o atirador mirou e matou o recém-nascido com um tiro nas costas.


Pessoas agonizavam e o homem voltava em meio às poças de sangue para terminar o serviço. Algumas tentaram fugir e foram atingidas com tiros nas costas. Outras conseguiram sair daquele maldito inferno, mas o homem as perseguiu matando-as no estacionamento. Outras conseguiram fugir e se esconderam atrás de carros.


Omar Hernandez, David Flores e Joshua Coleman, todos amigos de escola, e todos com 11 anos de idade, brincavam do lado de fora quando o massacre começou. Eles correram até suas bicicletas. Mas Omar Hernandez e David Flores caíram mortos. Joshua Coleman, fingindo-se de morto, escapou por um triz e pôde viver sua vida… casamento, filhos…

Alicia Garcia cozinhava quando as balas começaram a ricochetear. Ela e outros dois cozinheiros correram por uma escada até uma sala nos fundos. Ela e outros funcionários do McDonalds conseguiram escapar.

O primeiro carro da polícia chegou às 16 horas e 7 minutos. Imediatamente a polícia de San Diego pediu uma equipe da SWAT. “Mande a SWAT… mande TODO MUNDO!”, gritou pelo rádio um tenente de polícia ao ser recebido a tiros pelo atirador.

Seis quarteirões ao redor do McDonald’s foram fechados. O que se seguiu a partir daí parecia sair de um filme de Hollywood. Durante uma hora e dezessete minutos o atirador e a polícia travaram um duelo digno de filmes de faroeste. Encurralado dentro do McDonald’s, o atirador em fúria assassina parecia aqueles vilões saídos dos nossos piores pesadelos. Quem seria esse louco?

A sanguinária tarde do dia 18 de julho de 1984 só terminaria quando, às 17 horas e 7 minutos, um atirador de elite da SWAT mirou seu rifle Remington calibre .308 com mira telescópica bem no meio do peito do assassino em massa e acertou um tiro em seu coração. Mas a morte do assassino foi apenas o início da tragédia: 21 pessoas mortas e outras 19 feridas. A vítima mais jovem, Carlos Reyes, tinha apenas 8 meses de vida, já Miguel Ulloa, o mais velho, tinha 74 anos.

Não havia dúvidas: aquele McDonald’s havia sido palco do pior assassinato em massa cometido por um indivíduo solitário em toda história americana até então.

O chefe da polícia de San Diego, Bill Kolender, chamou o episódio de: “…a mais terrível coisa que eu já vi em minha vida e olha que eu já estou nesse negócio a 28 anos”.

Passado o desespero e o terror, veio a famosa pergunta que sempre é feita após esse tipo de episódio e que até hoje ninguém nunca conseguiu responder.

Por quê?

O McDonald's doou o imóvel para a cidade e um monumento foi erguido no local, em memória dos mortos.

segunda-feira, 18 de março de 2019

O “ENVENENADOR DO TYLENOL”

O CASO NUNCA FOI SOLUCIONADO




Na década de 80 uma série de envenenamentos trouxe pânico aos consumidores de medicamentos.

O primeiro caso ocorreu em 29 de setembro de 1982, quando uma menina de 12 anos, enferma, residente em Elk Grove Village, Illinois, tomou inadvertidamente um comprimido de Tylenol Extra Forte envenenado com cianureto e morreu algumas horas depois no mesmo dia.

Ela foi uma das sete pessoas que morreram repentinamente após ingerir o popular medicamento, vendido sem necessidade de receita médica, enquanto os chamados “assassinatos Tylenol” ou “Tylenol terrorista” espalhavam o medo por todo o país.

As vítimas, todas da área de Chicago, variavam entre 12 e 35 anos de idade e incluiriam três membros de uma mesma família.

A Johnson & Johnson, empresa fabricante do Tylenol, lançou de imediato um maciço “recall” do produto e ofereceu US$ 100 mil de recompensa por alguma informação que levasse à prisão da pessoa ou pessoas responsáveis e comandou uma das mais bem sucedidas campanhas de relações públicas da história e recuperou imagem em pouco tempo.

Investigadores logo determinaram que as cápsulas envenenadas de Tylenol não haviam sido alteradas nas fábricas onde eram produzidas. Isso significava dizer que alguém subtraíra as caixas das estantes do almoxarifado, trocara os comprimidos por veneno, e os devolvera ao almoxarifado para que então fossem distribuídos nas farmácias e supermercados, onde as vítimas adquiriram os produtos adulterados.

Antes do escândalo “Tylenol Terrorista", o Tylenol era a droga mais vendida entre as que não careciam de receita médica a mais vendida da companhia Johnson & Johnson nos Estados Unidos. Alguns observadores chegaram a especular que o medicamento Tylenol jamais seria capaz de se recuperar do desastre. No entanto, no espaço de meses, Tylenol voltou aos escaninhos das farmácias com um novo envoltório de segurança.

Os “assassinatos Tylenol”, que inspiraram crimes similares envolvendo outros produtos, jamais foram solucionados, embora diversas pessoas tenham sido investigadas. Entretanto, um resultado positivo da crise foi que levou a indústria farmacêutica a desenvolver embalagens à prova de adulteração, que antes do caso Tylenol Terrorista” simplesmente não existia.



segunda-feira, 4 de março de 2019

O "VAMPIRO" DE NITERÓI




Marcelo Costa de Andrade, vulgo Vampiro de Niterói, é um “serial killer” acusado de ter matado cerca de catorze meninos nas redondezas de Itaboraí, cerca de 30 quilômetros de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, no ano de 1991.

Marcelo viveu parte da sua infância na favela da Rocinha, na cidade do Rio de Janeiro. Vivia num lar desestruturado, e sua mãe, uma empregada doméstica, apanhava constantemente do marido. Foi mandado por um período para a casa dos avós, no Ceará, local onde disse que apanhava muito. Tempos depois foi mandado de volta para o Rio de Janeiro, onde constantemente era vítima de maus-tratos pelos novos companheiros dos pais, que haviam se separado. Foi nesse período que foi abusado sexualmente por um homem mais velho.

Foi então internado em um colégio para meninos, mas não tinha bom desempenho nas aulas. Lá era hostilizado pelos colegas e chamado de retardado. Aos quatorze anos, foi mandado embora do internato, pois a instituição só acolhia jovens de 6 a 14 anos.

Assim que saiu do internato, passou a se prostituir. Segundo Marcelo, sempre era ativo durante seus programas, mas certa vez um homem mais velho o teria obrigado a ser passivo, o que o perturbou muito. Nessa época ele tentou cometer suicídio. Tempos depois ele foi enviado para a FUNABEM, mas meses depois fugiu e voltou a se prostituir, sendo que aos dezesseis anos foi morar com outro homossexual, Antônio Batista Freire, que começou a sustentá-lo e o apresentou à Igreja Universal do Reino de Deus. Mesmo com o sustento do companheiro, Marcelo continuava a se prostituir, até que se separou do porteiro e voltou para a casa da família.

A partir daí, largou a prostituição e começou a trabalhar formalmente, ajudando a família nas contas e nos afazeres domésticos.

Marcelo frequentava os cultos há cerca de dez anos na época, além de assistir às celebrações pela TV diariamente. Segundo ele, foi num desses cultos que ouviu que quando as crianças morrem elas vão para o Céu. Segundo a lógica do assassino, ele não matava adultos, pois poderia os estar mandando para o inferno.













Crimes
No dia 16 de dezembro de 1991, Altair Medeiros de Abreu, de 10 anos, teria saído com seu irmão, Ivan Medeiros de Abreu, de 5 anos, até a casa de um vizinho, que lhe havia prometido oferecer um almoço. Na época o pré-adolescente morava numa zona de pobreza do bairro Santa Isabel, em São Gonçalo, município vizinho de Niterói. Os dois eram filhos de Zélia de Abreu, empregada doméstica que possuía mais cinco filhos.

Quando os dois garotos passavam pela estação central de Niterói, os dois foram abordados por Marcelo, que, segundo Altair, teria lhe oferecido cerca de quatro mil cruzeiros para que os dois o ajudassem a realizar um ritual religioso católico. Os três pegaram um ônibus e foram parar numa praia deserta, nos arredores do Viaduto do Barreto. Nesse momento, Marcelo tentou beijar o garoto mais velho, que fugiu assustado, mas sendo capturado em seguida e derrubado no chão; atordoado, ele viu seu irmão Ivan ser abusado sexualmente por Marcelo, que após o ato, o enforcou, avisando Altair que seu irmão estava dormindo.

Assustado, Altair passou a fazer tudo o que Marcelo queria, sendo depois levado pelo assassino até um posto de gasolina onde se limpou sobre os olhos atentos de Marcelo. Os dois dormiram em um matagal, e na manhã seguinte partiram para o Rio de Janeiro. Segundo consta, durante o trajeto, Marcelo teria se oferecido para morar com Altair, que teria concordado imediatamente. Nos depoimentos após o crime, Marcelo disse que teve piedade do garoto, pois ele teria sido "bonzinho" e prometido ficar com ele. Na época, Marcelo trabalhava como distribuidor de panfletos, e teria que aparecer no trabalho para buscar seus papéis. Assim que se distraiu, Altair aproveitou e fugiu do assassino.

Quando chegou em casa, por carona, Altair não revelou que seu irmão havia sido morto, só revelando o crime para uma das irmãs mais velhas dias depois. Marcelo não teria tentado procurar Altair nem tentado esconder o corpo, voltado no local do crime tempos depois para modificar a posição do corpo, corpo esse que foi encontrado por policiais horas depois. Segundo consta, as mãos do garoto estavam dentro dos shorts, o que afastou a tese inicial de afogamento, sendo constatado o abuso sexual no IML.

Quando o corpo foi identificado pela mãe de Ivan, Altair levou os policiais até o trabalho de Marcelo, que confessou o crime imediatamente, não demonstrando surpresa.

Na delegacia, Marcelo confirmou ser o autor de mais doze assassinatos. Ele revelou um dos seus primeiros crimes. Segundo o próprio, em junho do ano de 1991, ele havia acabado de descer de um ônibus quando viu o garoto Odair Jose Muniz dos Santos, de onze anos, pedindo esmolas na rua. Marcelo então o convenceu supostamente para ir até a casa de uma tia e pegar cerca de 3000 cruzeiros para dar ao garoto. Mas na verdade Marcelo o atraiu até um campo de futebol e tentou abusar do menino, e como não conseguiu, o enforcou.

Logo após, Marcelo foi para casa jantar e voltou mais tarde, quando decapitou o corpo do garoto. Marcelo afirmou que fez isso com o garoto para se vingar do que faziam com ele durante a época que viveu no internato.


O primeiro crime ocorreu em abril de 1991, num túnel debaixo da BR 101, em Niterói. Marcelo estava voltando do trabalho quando viu um garoto vendendo doces na avenida. Inventou a mesma história do dinheiro e do ritual religioso e o levou para um matagal. Tentou fazer sexo com o garoto, mas este resistiu. Marcelo o agrediu com pedras e depois o asfixiou e o estuprou. Após o ato, Marcelo enforcou o menor com a própria camiseta do menino.



Segundo ele, foi a partir daí que não conseguiu mais parar de cometer crimes.
  
No seu segundo crime, no mesmo túnel da BR 101 em Niterói, Marcelo atacou uma criança de 11 anos. O menor foi violentado à força seguidas vezes e depois foi enforcado com a camisa que usava.

No terceiro crime, cometido no interior de uma carcaça de fusca em Niterói, Marcelo tentou violentar a vítima de 7 anos, que resistiu no início e só cedeu após ser espancada. Enquanto o menor dormia, Marcelo lhe esmagou o crânio com uma pedra grande, recolheu o sangue na vasilha que utilizava para levar comida no trabalho e o bebeu todo. Beber o sangue da vítima o estimulou sexualmente e Marcelo teve mais uma relação sexual, desta vez com o cadáver.

No quarto crime, cometido em Japeri, um menor de 13 anos também foi espancado e violentado duas vezes. Ao amanhecer, Marcelo bateu com uma pedra na cabeça da vítima, recolheu o sangue numa vasilha e o bebeu. Depois disso, enforcou o menor com a própria camisa daquele.

No quinto crime, em São João do Meriti, um menor com idade de 10 ou 11 anos teve a barriga perfurada por Marcelo com uma chave de fenda. Depois Marcelo sodomizou o menor e, após, feriu a cabeça da vítima com um pedaço de concreto até sangrar. Recolheu em uma vasilha e bebeu o sangue do menor. Por fim, bateu com o pedaço de concreto sobre o peito (coração) da vítima, até ocasionar sua morte.

No sexto crime, na estação de Comendador Soares, Marcelo confessa que também bateu na vítima e a possuiu sexualmente. Ao amanhecer, retirou a camiseta do menor e o enforcou com ela.

No sétimo crime, em São Pedro da Aldeia, Marcelo violentou um menor de 9 anos ao menos duas vezes seguidas. Também o enforcou com a própria camisa que a criança usava.

No oitavo crime, num CIEP próximo da BR 101, em Niterói, Marcelo foi com o menor até o segundo andar do edifício e ali passou a bater a cabeça do menor no piso até sangrar, recolheu o sangue numa vasilha e o bebeu. Em seguida violentou a criança que, segundo Marcelo, não reagiu “porque estava muito fraca”. Por fim, matou o menor igualmente enforcado com a própria camisa.

No nono crime, no bairro de Manilha (onde Marcelo também morava), um menor de 12 anos foi espancado e abusado por Marcelo ao menos duas vezes. Também esta criança foi enforcada com sua própria camisa.

No décimo crime, também no bairro de Manilha, a vítima foi uma criança de 5 anos. Marcelo deixou cair uma pedra grande sobre a cabeça da criança e bebeu seu sangue que havia recolhido numa vasilha. Por fim Marcelo afogou a criança num riacho.

No décimo primeiro crime, próximo ao local onde Marcelo vivia, uma criança de 6 anos foi sua vítima. Não houve penetração e a consumação se deu entre as coxas do menor. Também este foi afogado num riacho.

No décimo segundo crime e no décimo terceiro, também em Niterói, em uma galeria próxima a um CIEP, Marcelo bateu com a cabeça da vítima de 11 anos numa parede, atordoando-a. Em seguida violentou e estrangulou outro menor de 5 anos, irmão da criança de 11 anos que também foi abusada sexualmente, mas foi poupada e levada por Marcelo até seu local de trabalho, de onde a vítima fugiu, vindo posteriormente a denunciar o ocorrido.

Marcelo alega ter matado um menor em Belo Horizonte/MG, mas o caso não foi confirmado. Suspeita-se que tenham existido outras vítimas.

Na maioria dos casos Marcelo levava para sua casa os shorts de suas vítimas, que guardava como recordação no fundo de uma caixa de revistas.

Por ser inimputável, Marcelo não foi julgado nem condenado e se encontra internado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Henrique Roxo por determinação da justiça como medida de segurança.